Casa da Floresta

VIDA: APRENDIZADO NA PRÁTICA.

Thursday, February 26, 2004

Loucuras de Carnaval

Pra mim o Carnaval acabou já. Mas isso não uma coisa triste, considerando o ser mais bicho do mato que eu sou eu até que fiz muito mais que a minha capacidade social carnavalesca permite.

Começou com aqueles bem programas de índio. Meu padrasto resolveu fazer feijoada chic aqui em casa no domingo. Feijoada chic não é aquela cheia de celebridades que sai na Caras da próxima edição, mas sim aquela que de gente tão fresca só tem carne de primeira e um monte de coisas defumadas. Isso pq depois da night doida no baile do Copa (quanta intimidade) que não merece uma descrição detalhada já que eu que é bom, não fui chamada. Assim como a mammy, tão consideriosa (e sim, essa É uma palavra inventada), não me chamou pra ir desfilar com ela na mangueira! Logo eu que sou mangueirense! Valeu mamãe! humpf.

Oq me leva à programa de índio de carnaval número dois: ficar acordada até às 6 da manhã pra ver se a minha mãe ía aparecer na tv. Quem mandou a mangueira desfilar às 4:30 da matina? Bem.. alguém precisa desfilar nesses horários ingratos... Ah, e mamãe não apareceu.

Abrirei um parênteses pq eu sei que meus amiguinhos vão ler aqui, então eu quero dizer que amei revê-los nem que seja para o maior dos programas de índio que é ir ao cinema no meio do carnaval, mas tá tudo bem. É sempre maravilhoso tê-los todos juntos.

Segunda me acordaram by cell phone me intimando a sair da cama e montar uma pequena malinha.. era dia de ir pular em blocos. Não vou a bloco de rua desde que eu tinha uns 5 anos de idade e meus pais íam pra copacabana e eu ficava trancada no carro com medo dos bate-bolas, então imagine a minha aflição... Ser anoréxica social é uma merda!

Mas fui eu lá, uma muda de roupa mais coisas que vc carrega quando sabe que vai tomar banho e dormir na casa de alguém, numa pequena mochilinha nem um pouco preparada pra encarar um bloco de frente, ou melhor, de meio. Mas foi aí que começou o carnaval pra mim. Às vezes é bom ter ao lado de vc pessoas que dizem "Vamos!" quando vc diz "Não sei, não!" Fomos parar no meio do bloco da segunda-feira da cobal do humaitá. Pegamos ele ainda bem no início e fomos no meio dele junto da bateria. Tava chovendo um pouco e se eu não tivesse mais uma muda de roupa na mochila teria me sentindo muito nojenta pq depois de um tempo pulando, sambando e levando espuma de carnaval na cabeça vc desiste de pensar no que vc acharia de vc mesma nesse estado se não fossem as dadas circunstâncias.

Quando o bloco tava virando no largo dos leões e eu já estava meio cansada quase dizendo pra gente ir (pq ainda tinha que se arrumar pra encarar copa na madrugada) e eis que acontece uma das maravilhas de carnaval: conhecemos uns meninos.

Não eram quaisquer meninos, era um trio de irlandeses. Um mais fofo que o outro. Claro que para minha "sorte" o mais fofo de todos que eu tava de olho era também o mais tímido e reservado dos três. Ficamos conversando um tempão e eu traduzindo metade do tempo pq a minha amiga não falava nada de inglês e eles nada de português. Acabamos seguindo o bloco com os meninos e um deles até se perdeu. Muitas situações engraçadas e algumas até constrangedoras envolvendo umas pirralhas doidonas e a minha amiga já estava lá se agarrando com o que eu não queria (uffa!) e sobrou o que eu queria pra mim. Mas devo dizer, estrangeiro é um bicho meio devagar. Meio não, MUITO!

Acabamos não entrando na cobal pq a minha amiga avistou um ex-namorado dela não muito gente boa do qual ela não quer ver nem pintado de ouro. Mas ela ficou lá com o outro irlandês e eu que nem uma pateta esperando o meu fazer alguma coisa. Depois de muito tempo e nenhuma ação a minha amiga disse que tínhamos que ir pra casa. Eu pensei "Oq????? Ele não se mexe e eu tenho que ir pra casa?!" Convenci ela a ficar mais um pouco. Não era possível que ele não ía fazer nada! Mais umas conversas pra lá, umas pra cá. E eu disse pra ele "sabia que ela tá me chamando de idiota?" (oq nem era mentira pq ela tava ficando impaciente e mandando eu pular nele! mas imagine euzinha pulando num cara?! huahau nem morta!) e acrescentei "e é tudo culpa sua!" - "Culpa minha?" ele me perguntou. "É, culpa sua!" eu disse olhando nos olhos dele. Acho que finalmente ele entendeu! "Então.." ele chegou, me abraçou e me beijou!

Sinos soavam aleluia da cobal à irlanda! Suuuper fofo!

Claro que não durou muito pq nós realmente tínhamos que ir embora. Mas foi ótimo e como dizia o poeta "que seja infinito enquanto dure!" Demos nossos telefones pra eles e fomos embora planejando ir à copa (sim, nós os chamamos, mas eles íam pra sapucaí).

Nos arrumamos, comemos, arranjamos com os nossos amigos que também íam pra nos encontrarmos e fomos. O bloco saía uma da manhã. Que negocinho michuruca que foi. Nem fomos atrás. Ficamos no quiosque tomando água de coco, comendo amendoim torrado e jogando conversa fora. Não durou muito e fomos pra casa. Dormir era o melhor a fazer.

Como eu não aguentei ver muito de desfile, acabamos indo logo dormir. Eu estava lá deitada relembrando meu maravilhoso incidente internacional quando escuto meu celular tocando lá na cozinha. Quem poderia estar me ligando 3 e meia da manhã? Só havia uma pessoa: Tom! Saí correndo como uma desesperada. Eles tinham ido à sapucaí, mas agora estavam em copacabana e queriam saber se não podíamos ir pra lá. Com a maior dor no coração eu disse que não, pq a minha amiga já estava dormindo e sinceramente ía dar um baita trabalho voltar à copa àquela hora. Ele disse que tinha sido ótimo e talz e que era uma pena que não podía ir vê-lo. Desliguei dizendo que se eles quisessem podiam nos ligar enquanto ainda tivessem aqui. Fui dormir até triste depois dessa.

~*~

Dia seguinte a doida me acordou pulando em cima de mim pq o celular dela tinha uma msg na caixa postal. Aparentemente ela desligou o celular à noite e o Billy não reconheceu o que é uma secretária eletrônica com voz gravada. "Hello! Hello, it´s Billy! Is somebody there?" devo dizer que foi engraçado. Contei pra ela do telefonema da noite anterior e decidimos ir pra reunião de novo e depois pegar o Galinha do Meio Dia em Copa. Não deu, mas conseguimos almoçar e fomos pro Bloco do Cachorro Cansado no Flamengo. Como não foi noticiado no jornal que a minha amiga tinha só soubemos quando já estava tendo pq a outra nos ligou dizendo que da janela dela (ela mora na Senador Vergueiro) dava pra ver a maior baderna lá embaixo. Fomos correndo. Foi bem divertido também, mas já pegamos meio que pro final. Pra variar, suor, chuva e espuma. Ainda bem que eu ía pra casa depois. Foi rápido e ficamos conversando com um cara que tava dando em cima da minha miga lá. Nada demais. Ele queria que fôssemos pra Lapa depois com ele. Eu não ía a lugar nenhum com ninguém! Já estava ficando cansada. Casa, banho e cama! Ela até que não reclamou muito, no fim a salvei dele que era um chato abusador, metido, gigolô e com certeza com tendências misóginas. Ou seja, a última coisa que ela precisava.

Passamos na casa da minha amiga do flamengo pra beber uma água e conversar um pouco e elas queriam me convencer a ficar por lá mais um dia. Sem roupa, cansada, como sono e já de mau humor eu bati o pé. Que me deixassem no ponto, meu carnaval tinha acabado, casa aí vou eu.

Bem.. eu PENSEI que o carnaval tinha acabado.... hehehe

Voltei de 175 pra casa normal e vim andando aqui pra minha rua. Quando eu entro nela está um vizinho meu de prédio andando com o cachorro dele como ele faz sempre à noite.

Precisamos abrir outro parênteses pra contar a história do vizinho.

Esse meu vizinho é um daqueles caras que vc olha no elevador, esbarra na rua de vez em quando (ainda mais pq ele sempre anda com o cachorro dele pelo horário que eu voltava do trabalho), vê na portaria.. coisas normais de vizinhos. Dá um bom dia daqui, um boa tarde dali. E por mais que eu tivesse alguma atração não revelada (óbvio) por esse meu vizinho eu nunca pensaria que aconteceria nada.

Bem... das últimas vezes que nos esbarramos ele começou a ser mais enfático, tentar puxar mais conversa, coisas casuais e eu pensando "puxa, legal ele, que fofo", mas claro, sem qualquer esperança. Da penúltima vez que nos vimos eu quase tive um treco pq claro, quando vc está a fim de alguém quer que te vejam no seu melhor e não toda nhaquenta tendo colocado um biquini, se enroscado o mais non-fashion naquela canga usada, com o cabelo todo emaranhado preso num coque e tendo acabado de olhar no espelho do elevador tendo me dado conta que minha pele estava extra oleosa e com cada dia mais espinhas. Imagine esse quadro e depois imagine um cara que vc esteja meio a fim entrando lindo, de banho tomado, com um óculos escuro bem misterioso. É, eu queria sumir (no mínimo).

Mas mesmo assim ele puxou a maior conversa, perguntou pra onde eu tava indo, fez comentários sobre não ter muito sol e eu falando que nem uma desembestada quando fico nervosa. Quando saí do elevador, continuei divagando sobre as injustiças do mundo para mim mesma.

Fecha parênteses. Agora voltemos ao nosso encontro repentino.

Como eu havia dito, minhas resoluções para o fim de note era: casa, banho e cama. E entrando aqui na rua lá estava ele passeando com o cachorro e eu o reconheci, óbvio e por isso mesmo passei correndo por ele (afinal, eu sou eu e eu sou aquela que passa correndo pelos garotos que gosta para não ser reconhecida, ainda mais naquele estado).

"Hey!" ele chamou e eu me virei "vc não mora no Royal? (é o nome do meu prédio)"

"Moro sim" eu respondi. Ele se aproximou e fomos conversando conversando aquela casualidades de onde eu fui, daonde eu vim, oq eu fiz, qual o meu nome (muito importante pq eu fiz questão de me lembrar o dele. Parece idiota, mas é que quando alguém novo se apresenta pra mim eu não levo nem 1 minuto e esqueço o nome da pessoa e quando isso acontece com caras que eu fiquei é terrível!). Bem, fomos andando eu, ele e o cachorro dele até aqui o prédio (abençoado seja meu prédio por ser no final da rua). Quando a gente chegou aqui no final, ficou enrolando e conversando.. e a minha amiga tinha razão, eu realmente sou meio lerda pq eu não consigo olhar nos olhos dele assim como eu não conseguia olhar pro outro.

Mas, felizmente, estando com alguém muito menos lerdo que eu. (Eita leonino avançadinho. hehee) Ele foi colocando a mão na minha nuca e fazendo carinho no meu cabelo. E, como diz uma fic que eu adoro "He realized at that moment, that he was in very deep shit." (trocar o gênero da frase para o feminino e considerar que é primeira pessoa do singular)

Claro que tive que olhar pra ele e daí pra frente foi muita coisa doida. Se eu parar pra pensar eu surto. Pq fomos parar no carro dele e acabamos fazendo coisas que meus antigos namorados levaram meses pra conseguir meu consentimento. Só faltou mesmo o que nenhum deles ainda conseguiu. Mas do jeito que a coisa vai, acho que não vai demorar muito tempo.. hehehe

Mas com certeza foi o suficiente para tirar aqueles pensamentos carentes da minha cabeça. Além de ser uma ótima desculpa para me cuidar um pouco melhor não? Veremos.

Ps. Se vc é da família ou adjacentes (sim, vc sabe quem é) esse tipo de post deve ser totalmente proibido aos olhos dos progenitores. ;)

0 Comments:

Post a Comment

<< Home