Casa da Floresta

VIDA: APRENDIZADO NA PRÁTICA.

Monday, January 05, 2004

O que o tempo faz

Numa idade como a minha dá pra dizer que é uma eternidade não ver uma pessoa há seis anos. Pois é, esse fim de semana entrou novamente na minha vida uma pessoa que eu achei que tinha desaparecido de vez, não importando meus esforçõs pretéritos de achá-la. Uma amiga de infância do qual sempre tivemos uma relação muito estranha uma vez que a intimidade que tínhamos foi construída em intervalos.

Seus pais se mudaram para os EUA quando ela ainda era bem pequena, mas eles vinham todas as férias de julho passar aqui prometendo sempre que no ano seguinte voltariam de vez; nunca voltaram. Mas todo mei de ano era a mesma coisa, lá estava ela aqui novamente. Teve um ano que ela ficou aqui o ano inteiro, quase acreditei que seria pra sempre. Seis anos atrás eles se deram conta que não voltariam, venderam o apartamento daqui e só vinham ao Brasil ver os parentes em Goiás e na Bahia. Não avisaram que íam, não avisaram nada. No ano seguinte eu a procurei e nada. No outro também e nada. Procurei na internet e ainda assim, nada.

O quanto realmente as pessoas mudam em seis anos?
Confesso que fui vê-la achando que teria sido um choque, afinal as parcas notícias que tive dela nesse tempo me contaram de uma menina que era o total oposto do que ela sempre fora. Também achei que não saberíamos mais falar uma com a outra, que seríamos completamente estranhas uma pra outra.

Mas sabe, as pessoas crescem, vivem suas vidas, contam novas histórias, mas no fundo a base é ainda a mesma. A mesma rebelde moleca de atitude americana lá e a mesma menina semi-assustada aqui. Os brincos de ouro a mãe dela ainda não conseguiu fazer ela usar, ela fez piercings daqueles bem simples prateados. Uma tatoo, empréstimo escondido no banco, notas ruins na faculdade e um namorado morando junto. Aqui, apenas uma menina com medo de sair do hotel sem a mãe por receio de assalto.
E sabe do que mais? Cinco minutos a sós e já contávamos histórias dos acontecimentos passados como se não tivesse passado assim tanto tempo e fizéssemos isso sempre.

Engraçado pensar que eu estive tão apreensiva e intimidada.
Aprendi que o tempo muda as coisas nas pessoas, mas não muda as pessoas.

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