Casa da Floresta

VIDA: APRENDIZADO NA PRÁTICA.

Friday, December 12, 2003

Política

Outro dia eu estava lendo um texto no jornal (não lembro de quem) que falava nostalgicamente da época da ditadura e política e como os jovens eram mais ligados à política, passeatas, etc.

Eu acho engraçado (por falta de palavra melhor) pq ao mesmo tempo que todo mundo fala que a ditadura foi um período terrível de repressão, de morte, tortura e etc, ao mesmo tempo parece que eles sentem saudades.

Será apenas saudade de suas próprias juventudes ou será mesmo da época?

Tive um professor que dizia que nós não sabemos oq é censura, tortura, etc. E que não nos importamos com o futuro do país.
Eu diria que isso não é verdade, pense só na situação da juventude atual, talvez nós também quiséssemos estar naquela época.

A polícia estava sempre por todo canto, a violência era só do governo, não haviam grandes traficantes que controlam a cidade e mandam o comércio fechar, não podemos mais sair na rua à noite, há doenças por todos os lados, há helicópteros nos vigiando nas varandas de nossas casas, a polícia não está mais na rua e se está, não é confiável, o governo não nos dá vestígios de que podemos confiar nele para mudar qualquer coisa... Aí eu pergunto: pq se engajar?

Mas eu não diria que por causa disso nós somos uma geração menos preocupada com o futuro da nação ou do mundo, apenas agimos de forma diferente, procuramos outros meios de nos envolver e melhorar as coisas que nos cercam. Há jovens indo para o afeganistão para conferências de melhoria da situação da juventude do mundo, há trabalho voluntário, campanhas de conscientização, reuniões e debates, jovens empreendedores... Então pq nos chama de desleixados só pq os sonhos mudaram? O fato de não querermos ser mais presidente da república e sim biólogos, médicos voluntários ou mesmo trabalhadores felizes nos faz menos preocupados politicamente?

Por isso digo aos mais antigos, não nos descriminem por não ter os mesmo sonhos, não temos mais a segurança em vários âmbitos da nossa vida para "parar num barzinho, tocar violão e filosofar política" como dizia esse meu professor. Não somos menos polítizados por isso.

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